Novo CEO da CVC Começou Trabalhando nas Madrugadas do Aeroporto de Guarulhos

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Depois de 15 anos na CVC Corp — mais da metade da sua carreira, com três idas e vindas — Fabio Mader assumiu, na última semana, o cargo de CEO do maior grupo de viagens do país. “Costumo dizer que sou um dos colaboradores que têm o sangue amarelo circulando”, brinca o executivo.

Primeiro a chegar e último a sair todos os dias da sede da empresa, em Santo André, Mader é conhecido pela proximidade com os funcionários. Na sua última posição como CEO da rede de hotelaria GJP Hotels & Resorts, em 2022, fez questão de conhecer todos os três mil colaboradores nos primeiros 60 dias na cadeira. “Apertei a mão de cada um deles”, lembra. “Para que as pessoas trabalhem e se desenvolvam, elas precisam conhecer quem é o líder.”

Desde 2023, o executivo atuava como vice-presidente da CVC Corp. Agora, assume o desafio de liderar a gigante de turismo, sucedendo Fábio Godinho, que foi responsável por conduzir a empresa no processo de retomada e estabilização após a pandemia. “Saio da GJP, uma empresa de cerca de R$ 300 milhões, para assumir a liderança de uma companhia de R$ 20 bilhões”, afirma. “É um desafio muito maior, mas para o qual me sinto preparado.”

No terceiro trimestre de 2025, a CVC teve lucro líquido ajustado de R$ 62,5 milhões, alta de 35,6% em relação ao mesmo período do ano anterior; e de R$ 40,6 milhões considerando o lucro contábil, um aumento de 181,4% sobre igual período de 2024. O objetivo do novo CEO é manter o crescimento, com foco em uma agenda de pessoas e transformação digital. “O mundo está mudando muito rapidamente. Para falar de futuro, era necessário um líder muito próximo do dia a dia da empresa.”

Com uma carreira construída integralmente no setor de turismo, Mader começou na aviação: passou pela Varig, Gol e Webjet. A entrada no setor foi por acaso — um emprego nas madrugadas do aeroporto de Guarulhos. Aos 19 anos, foi promovido a gerente. “Acabei entrando na aviação e me desenvolvendo no setor. Desde então, minha carreira foi acontecendo a partir de convites.”

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Hoje, à frente de uma operação com quase três mil funcionários no Brasil e na Argentina, divide sua rotina entre a sede da empresa, durante a semana, e os finais de semana com a família, na Granja Viana. O esporte é um dos pilares da sua agenda: três vezes por semana, começa o dia às seis da manhã jogando tênis e, eventualmente, pratica wakeboard em Ibiúna com os filhos.

A seguir, Fabio Mader, novo CEO da CVC Corp, fala sobre os desafios de assumir a companhia, revisita sua trajetória no setor de turismo e explica como pretende construir seu legado na liderança.

Forbes: O que levou à mudança de liderança da CVC neste momento?

Fabio Mader: O comitê de administração e o conselho de administração decidiram antecipar o processo de sucessão porque entendemos que era preciso acelerar a transformação cultural e digital da companhia. O mundo está mudando muito rapidamente com as novas gerações. Diante disso, o conselho decidiu antecipar esse processo para que a transformação cultural começasse agora.

A CVC passou por um período turbulento durante e no pós-pandemia, que levou ao turnaround da companhia. Como você avalia esses últimos anos da empresa?

Em junho de 2023, a empresa vinha de um período pós-pandemia extremamente difícil do ponto de vista financeiro. O mercado de turismo começava a se recuperar, mas a CVC Corp não voltava no mesmo ritmo que o mercado. Naquele momento, decidiu-se pelo turnaround.

Trabalhamos com dois grandes pilares: o Back to Basic e o Foundation. A gente costumava dizer que, se quisermos construir o Burj Khalifa, o maior prédio do mundo, precisamos de uma fundação muito forte. Ao longo desses dois anos e sete meses, trabalhamos intensamente nesse turnaround.

Qual o momento atual da CVC?

Estamos chamando essa fase de crescimento e inovação: pessoas no centro, guiadas pelo cliente, impulsionadas pela transformação digital. Quando falo em transformação digital, não me refiro apenas a melhorar o site. Estou falando de todos os colaboradores da companhia olharem para o que fazem hoje e se perguntarem: será que conseguimos fazer isso de forma mais automatizada e eficiente? Será que conseguimos aplicar inteligência artificial? A transformação digital precisa acelerar nossos resultados e aumentar a rentabilidade, que é o que vai sustentar o futuro da companhia.

O que você diria que te destacou para assumir o cargo de CEO?

Costumo dizer que sou um dos colaboradores que têm o sangue amarelo circulando. Ao longo dos meus 15 anos de casa, tive a oportunidade de ser diretor de diversas áreas da companhia, o que me credenciou para que fosse possível o anúncio da minha posição.

Há uma mudança clara de perfil em relação ao meu antecessor. Mas isso sempre fez parte do projeto de sucessão, porque, para falar de futuro — colocando o cliente no centro e promovendo uma mudança cultural genuína, feita de baixo para cima, por meio das pessoas — era necessário um líder que conhece profundamente a companhia e que é muito próximo do dia a dia da empresa.

Para quem me conhece, sou o primeiro funcionário a chegar e o último a sair. Tenho uma presença muito forte, com uma liderança próxima, conciliadora, e acredito genuinamente que as pessoas fazem a diferença. Durante a minha passagem pela GJP, nos meus primeiros 60 dias, conversei com cerca de 3 mil colaboradores e apertei a mão de cada um deles. Para que as pessoas trabalhem e se desenvolvam, elas precisam conhecer quem é o líder.

Quais têm sido os principais desafios e aprendizados ao assumir esse novo cargo?

Saio de uma experiência como CEO da GJP, uma empresa de cerca de R$ 300 milhões, para assumir a liderança de uma companhia de R$ 20 bilhões. É um desafio muito maior, mas para o qual me sinto tranquilo e preparado.

O clima da empresa com o anúncio foi impressionante. A quantidade de pessoas que vieram me abraçar mostra como esse movimento foi recebido: elas também se sentiram promovidas. Muitos colaboradores sempre defenderam que a empresa promovesse talentos internos, em vez de trazer alguém de fora. E isso mostra que é possível.

Sempre existe um líder que te inspira, que te enxerga, que aposta em você. Recebi mensagens de pessoas com quem não falava há muito tempo. Fui professor de economia em uma faculdade e muitos ex-alunos mandaram mensagens para me parabenizar. Fico arrepiado.

Qual marca você espera deixar com a sua gestão?

Acredito em uma liderança que não é baseada no “eu”, mas no “nós”. Quero que as pessoas trabalhem olhando para o grupo, e não apenas para o seu dia a dia individual.

É possível liderar uma empresa cuidando das pessoas de forma genuína, ajudando-as a se desenvolver e a realizar seus sonhos dentro da própria organização. Nós não somos apenas uma empresa de produto ou de serviço. Somos uma empresa de experiência e sonhos. E não há como trabalhar o sonho de alguém sem passar pelo bem-estar dos colaboradores primeiro.

Lá na frente, espero que as pessoas lembrem de mim como um líder inspirador. Que digam: “Tive a oportunidade de trabalhar com o Mader. Esse é um líder que me inspira.” É o legado que quero deixar.

E qual foi o líder que marcou a sua trajetória?

Tenho líderes que admiro profundamente e pelos quais tenho muito carinho. Um deles é o Paulo Kakinoff, CEO da Porto, que também tem um perfil genuinamente voltado para pessoas.

Como foi seu início de carreira?

Fiz o colegial nos Estados Unidos como bolsista. No início da minha trajetória acadêmica, o meu grande sonho era ser médico, mas meus pais não tinham condições financeiras de me sustentar.

Comecei a trabalhar de madrugada no meu primeiro emprego, na Varig, ainda muito jovem. Com apenas seis meses de empresa, aos 19 anos, fui promovido a gerente do aeroporto de Guarulhos. Foi ali que aprendi que um bom líder é aquele que consegue extrair o máximo do potencial de cada um.

A partir da Varig, fui evoluindo profissionalmente. Além das passagens pela CVC, fui diretor comercial da Gol Linhas Aéreas e tive a oportunidade de liderar operações da empresa em outros países; trabalhei como diretor comercial da Webjet, uma companhia low cost brasileira que acabou sendo vendida para a Gol; e, depois, fui presidente e CEO do grupo GJP Hotels & Resorts.

Foi uma escolha intencional construir sua carreira no setor de turismo?

Foi totalmente por acaso. Acabei entrando na aviação e me desenvolvendo no setor. Desde então, minha carreira foi acontecendo a partir de convites. Nunca fui desligado de uma empresa, sempre fui convidado a fazer parte de um novo ciclo. Trabalhei duas vezes na Gol e esta é a minha terceira passagem pela CVC. Isso é resultado de um trabalho bem feito: você sai, deixa as portas abertas e é chamado novamente. Acabou acontecendo que nunca tive a oportunidade de ir para outro setor. Já recebi convites, inclusive, para atuar fora do Brasil, como liderar uma companhia aérea na Colômbia, mas sempre dentro do setor de turismo.

Com o tempo, você foi se apaixonando pelo setor?

Esse mercado é apaixonante. Trabalhar com viagens é muito bom, porque é trabalhar com sonhos. Até ontem, eu atuava como vice-presidente de produto e revenue management. Estava diretamente envolvido no desenvolvimento de produtos, trabalhando com o sonho dos clientes e criando novos destinos. Muitos dos nossos clientes viajam pela primeira vez, nunca entraram em um avião. É um papel muito importante.

Hoje vivemos um cenário de constantes mudanças em todos os mercados. Como se manter atualizado?

Tenho uma filha de 16 anos e um filho de 8 anos — são duas pessoas completamente diferentes, com mindsets muito distintos. Isso me atualiza bastante e me faz ler sobre comportamento humano. Também sou casado há 20 anos com uma psicóloga e ela é extremamente estudiosa, então temos uma cultura muito forte de leitura em casa. Para você ter uma ideia, no ano passado minha filha leu 45 livros. O que mais me interessa é o que os principais escritores estão dizendo hoje sobre comportamento, liderança e sociedade.

Existe também o lado digital. Esse mundo de celular, de TEDs e pequenos vídeos. Hoje a informação é muito rápida, curta, muitas vezes incompleta, mas extremamente reflexiva. A gente precisa aprender com esse novo formato de mundo e estar muito antenado em tudo o que está acontecendo.

Como a paternidade influenciou seu estilo de liderança?

Esse desafio tem muitos paralelos com o nosso dia a dia executivo. No fim, também temos um papel importante na vida dos nossos colaboradores. Eles têm sonhos, querem se desenvolver, têm problemas. Há dias em que não estão bem. Cada pessoa tem sua história, seu momento, suas vitórias e derrotas. E os valores são centrais nesse processo. A parte técnica, você pode mandar alguém para Harvard e está resolvido. Mas os valores, não. Esse é um papel muito forte dos pais, e não é diferente dentro das empresas.

Os combinados que fazemos em casa com a minha filha — que é adolescente, e adolescência é uma loucura — são muito parecidos com os combinados que fazemos com os colaboradores. Nós acompanhamos esses combinados, celebramos os resultados quando eles são cumpridos e chamamos atenção quando não são. Falo isso com frequência para o meu time: muitas vezes, é preciso ser duro com a equipe, assim como sou duro com os meus filhos, porque quero que eles se desenvolvam.

Qual é o papel da família na sua trajetória profissional?

Quando anunciei para a minha família que assumiria a presidência da CVC, os três choraram. Foi um momento lindo, porque não se trata de uma vitória minha, mas da família. Sou uma pessoa ausente no dia a dia deles. Minha família mora na Granja Viana, e durante a semana eu fico em Santo André, onde fica a empresa. Quando estou com eles, estou de verdade, mas passo muitos dias distante. Se eles não estivessem me apoiando, nada disso seria possível.

Com essa dinâmica, como equilibra vida pessoal e profissional?

Quando eu e minha família tomamos a decisão de eu ficar em Santo André durante a semana, isso também me permitiu retomar algumas coisas para mim. Jogo tênis três vezes por semana, sempre às seis horas da manhã. O tênis é um esporte que envolve estratégia, depende muito de você, faz bem para a saúde e, principalmente, para a cabeça. É o momento em que eu consigo sair completamente do ambiente de trabalho.

Além disso, sempre que posso, tento dedicar meu tempo à família. Nós gostamos muito de fazer wakeboard juntos. É aquele esporte de prancha puxada por um barco, uma espécie de esqui na água. Praticamos em Ibiúna. O wakeboard tem esse lado de estar em contato com a natureza, mas, principalmente, de ser um programa familiar. A gente passa o dia inteiro no barco, leva amigos.

Esse é um lado meu que pouca gente conhece, porque sou muito reservado. Não publico nada e sou muito cuidadoso com a minha imagem e a imagem das pessoas. Tenho muito cuidado com limites, com respeito, com o espaço do outro. Para mim, isso é essencial.

Qual conselho daria para o Mader no começo da carreira?

Diria que o primeiro ponto é acreditar em você. Se você não acredita em si mesmo, como espera que as outras pessoas acreditem? Quando estava no início da carreira, escrevia metas em um papelzinho e colocava na geladeira. Escrevia, por exemplo: “Vou ser gerente daqui a um ano e meio”. Todos os dias olhava aquilo. Eu acreditava, mas entendia que acreditar não era suficiente. Precisava me perguntar: o que estou fazendo hoje para me tornar gerente daqui um ano e meio?

E pode ser que, passado esse tempo, isso não aconteça. Você não pode se frustrar. Precisa sentar, refletir e redesenhar o caminho, entender o que precisa melhorar. Acreditar em si mesmo é fundamental, mas isso precisa vir acompanhado de ação. Por isso, é tão importante ter um plano de desenvolvimento individual. O PDI é da pessoa. Ele não pode ser terceirizado. O desenvolvimento é responsabilidade de cada um.

A trajetória de Fabio Mader, novo CEO da CVC Corp

Formação

Administração de empresas pela Universidade Cidade de São Paulo e MBA pela FGV EAESP

Primeiro cargo de liderança

Gerente do Aeroporto de Guarulhos na Varig

Primeiro emprego

Assistente de aeroporto na Varig

Um livro, podcast ou filme que inspira sua visão de gestão

O livro “The Ride of a Lifetime”, de Robert Iger

Um hábito essencial na rotina

Chegar cedo na empresa para planejar meu dia a dia, antes de começar a rotina do dia.

O que te motiva?

Minha família.

Um conselho de carreira

No início da carreira, ninguém precisa acreditar em você — exceto você mesmo. Com muito foco, disciplina e constância, o impossível vira apenas questão de tempo.

Tempo de carreira

25 anos



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