A maioria dos profissionais pode estar se agarrando firmemente a seus empregos atuais, mas executivos e pesquisadores de algumas das maiores empresas de tecnologia não estão permanecendo em seus cargos em meio à corrida da inteligência artificial. Alguns estão saindo após não conseguirem entregar atualizações no prazo, enquanto outros se mostram insatisfeitos com mudanças estratégicas e migram para concorrentes. Há ainda aqueles que deixam grandes companhias para se juntar a startups ou fundar as suas próprias.
Executivos-chave de gigantes como Apple, Tesla e Meta deixaram as empresas no último ano, muitas vezes com apenas semanas ou meses de diferença entre si. A Forbes detalha abaixo os motivos.
Apple
A Apple tem enfrentado dificuldades para acompanhar o ritmo da corrida da IA. Entre atrasos no lançamento do Apple Intelligence e nas atualizações da assistente de voz Siri, a empresa ficou atrás dos concorrentes na entrega de funcionalidades mais amigáveis ao consumidor.
Isso levou à maior reorganização da liderança desde a morte do cofundador Steve Jobs, em 2011. Até agora, a empresa perdeu seu antigo diretor de operações, Jeff Williams — indicado para integrar o conselho de administração da Disney —, o chefe de pesquisa em robótica, Jian Zhang, e os pesquisadores de IA Tom Gunter e Mark Lee, que migraram para a Meta.
Somente em dezembro passado, o chefe de inteligência artificial John Giannandrea deixou o cargo em meio a atrasos no desenvolvimento de IA; os atuais diretor jurídico e a vice-presidente de meio ambiente e políticas anunciaram aposentadoria; e mais de uma dúzia de executivos seniores comunicaram suas saídas.
Tesla
Poucos dias depois de o conselho de administração aprovar, em novembro, um pacote de remuneração sem precedentes para Elon Musk — que pode chegar a US$ 1 trilhão —, engenheiros responsáveis pelos programas dos modelos mais vendidos da Tesla, o Model Y, o Model 3 e o Cybertruck, anunciaram suas saídas.
A rotatividade foi consequência da mudança de foco da empresa para negócios movidos a IA, como robotáxis e robôs humanoides, o que tem tornado a companhia menos atrativa para engenheiros automotivos, segundo um ex-executivo da Tesla ouvido pela Forbes. As saídas registradas em 2025 incluem o diretor da equipe de baterias; o chefe do supercomputador “Dojo”; o vice-presidente de vendas e serviços da América do Norte; o chefe de recursos humanos; e o líder do projeto do robô “Optimus”.
A Tesla não é a única empresa de Musk que viu executivos deixarem seus cargos neste ano. Na xAI — que incorporou a rede social X à startup de inteligência artificial de Musk em março —, as saídas incluíram o diretor financeiro e o diretor jurídico, ambos contratados poucos meses antes de deixarem a empresa. A CEO do X, Linda Yaccarino, também saiu em julho. Passagens curtas parecem ser um padrão nas empresas controladas pelo bilionário. Como um de seus conselheiros afirmou ao Financial Times: “A única constante no mundo de Elon é a rapidez com que ele queima seus subordinados.”
Antes de Mark Zuckerberg iniciar uma ofensiva agressiva de contratações em IA e oferecer a pelo menos dois engenheiros pacotes de remuneração de US$ 1 bilhão, pagos ao longo de vários anos, a Meta vinha perdendo talentos. Pesquisadores e engenheiros que atuavam havia anos nos esforços de IA da empresa saíram para fundar suas próprias companhias (como Perplexity, Mistral e Fireworks AI), enquanto outros migraram para rivais como OpenAI, Anthropic e Google. Nos últimos dois anos, a taxa de retenção de funcionários em tempo integral da Meta foi de apenas 64%, contra 80% da Anthropic e 78% do Google DeepMind, segundo relatório da gestora de venture capital Signal Fire.
A enxurrada de investimentos de Zuckerberg aparentemente não foi suficiente para garantir a lealdade dos recém-chegados. Até o fim de agosto, ao menos dois profissionais recrutados da OpenAI deixaram a Meta apenas alguns meses após sua chegada. Avi Verma retornou ao cargo de pesquisador na OpenAI — sua breve passagem pela Meta sequer aparece em seu perfil no LinkedIn. O mesmo ocorreu com Ethan Knight, que havia entrado na Meta vindo da xAI, de Elon Musk, e também retornou à OpenAI. Um terceiro pesquisador, Rishab Agarwal, deixou a Meta após apenas cinco meses para trabalhar na Periodic Labs, uma startup de IA que levantou US$ 300 milhões em uma rodada seed liderada pela Andreessen Horowitz.
Mas nem tudo foram perdas para o time de IA da Meta em 2025. O bilionário Alexandr Wang entrou na empresa como diretor de IA em junho, após a Meta adquirir uma participação de 49% na Scale AI, empresa de anotação e rotulagem de dados cofundada por ele. Em dezembro, a Meta também recrutou o chefe de design da Apple, Alan Dye, para liderar um novo estúdio de design. Em janeiro deste ano, a empresa ainda nomeou Dina Powell McCormick, ex-assessora de segurança nacional de Donald Trump, como sua nova presidente.

