Muito antes de enviar seu currículo a um recrutador do Google, você já pode ter sido desqualificado. Não porque seu currículo estava mal formatado. Mas porque você tem uma mentalidade de baixo desempenho.
Em entrevista à Forbes, Brian Ong, vice-presidente de recrutamento do Google, explica o que um gerente de contratação da big tech enxerga como sinal de alerta, ou “red flag”, e que acaba impedindo a contratação.
Esses sinais aparecem nos currículos, nas respostas das candidaturas a vagas e até em entrevistas de emprego. Os comitês de contratação do Google são treinados para observar essas red flags durante todo o processo seletivo.
As 3 principais “red flags” que eliminam candidatos no Google
1. Precisar ter sempre razão
Um dos maiores motivos pelos quais os candidatos reprovam nas entrevistas é o que eles chamam de “mentalidade fechada”. “Ser confiante e seguro em sua especialidade e profissão é bom, mas apegar-se às mesmas velhas regras, precisar ter sempre razão e ter a mente fechada é um sinal de alerta”, diz Ong.
Esse tipo de atitude sinaliza falta de abertura para feedback; falta de adequação à equipe em uma cultura voltada para o crescimento e o aprendizado com os erros; arrogância e baixa inteligência emocional; e uma tendência a ficar para trás e frear a inovação.
Falta de evolução
No currículo, isso aparece quando o candidato não evidencia evolução ao longo da carreira — como ausência de progressão ou de novas responsabilidades — nem demonstra atualização recente, seja por meio de certificações ou outras iniciativas de desenvolvimento.
Se você não atualizou seu aprendizado, não tirou nenhuma certificação ou fez um treinamento nos últimos três anos, você mostra que estagnou em seu crescimento e que se sente perfeitamente confortável onde está neste momento. Esse é um importante sinal de alerta considerando que as empresas de hoje estão focadas na implementação de IA e na inovação, e querem avançar na era da tecnologia.
Ausência de vulnerabilidade
Essa “red flag” pode até aparecer na sua entrevista de emprego, quando você declara suas conquistas sem demonstrar como aprendeu ou cresceu em sua carreira, o que você faria diferente e os riscos que assumiu ou erros que cometeu, e como cresceu com eles.
É aqui que perguntas difíceis como “Qual é um dos seus pontos fracos?” ajudam a descobrir um pouco mais sobre você como pessoa. Responder a isso da maneira certa demonstra que você é autoconsciente e está trabalhando ativamente para se desenvolver profissionalmente para melhorar os seus “pontos fracos”.
2. Incapacidade de lidar com a ambiguidade
A adaptabilidade é a habilidade mais importante para os profissionais prosperarem em suas carreiras e se prepararem para o futuro nos próximos anos. Essa competência pode ajudar a conseguir funções focadas em promover a inovação em um ambiente de trabalho voltado para a IA, onde o futuro dificilmente será previsível. “A capacidade de prosperar na ambiguidade é provavelmente a lente mais crítica”, diz Ong.
“Não sabemos o que não sabemos. As coisas estão sempre mudando. Portanto, precisamos de pessoas aqui que possam realmente se adaptar quando as coisas mudam ao seu redor.”
Para entender se essa é uma habilidade que você já possui, responda honestamente a estas perguntas:
- Você consegue trabalhar sem instruções claras?
- Você consegue dar sentido às coisas e ligar os pontos usando uma abordagem de pensamento sistêmico?
- Você consegue mudar de direção facilmente e se adaptar ao menor sinal de mudança?
- Você sabe como tomar decisões com informações incompletas e assumir riscos calculados em vez de esperar ter todas as respostas? (Isso é especialmente crítico em funções de tecnologia e IA, que exigem transformações o tempo todo.)
Isso pode aparecer como um sinal de alerta no seu currículo se você não demonstra nenhum exemplo de onde mudou de direção ou adaptou uma abordagem, fluxo de trabalho ou estratégia. Também pode soar como uma “red flag” se você apenas lista pontos de tarefas no seu currículo, em vez de mostrar transformação, fornecer exemplos de onde você teve recursos insuficientes, entrou em um novo mercado, forneceu um novo serviço, programa ou produto ou operou no meio de uma mudança — e quais foram os resultados e o impacto.
3. Esperar pela liderança em vez de ser o líder
Ceder à hierarquia o tempo todo e não estar disposto a olhar além é um dos sinais de alerta que demonstram ao comitê de contratação do Google que um candidato não é adequado à cultura da empresa. Isso significa que, em vez de tomar a iniciativa e ser proativo, sua mentalidade é de esperar por diretrizes da liderança, e você não assume a autoria ou a responsabilidade pelo seu trabalho.
Por outro lado, você demonstra que assume a responsabilidade ao incluir no currículo tópicos que explicam como você foi além das suas funções; influenciou o pensamento e as decisões mesmo sem autoridade gerencial; e desenvolveu e liderou iniciativas, programas ou pequenos projetos.
Um sinal de alerta que demonstra que você não possui essas habilidades de liderança é o uso de palavras como:
- Apoiei;
- Auxiliei;
- Ajudei com;
- Possibilitei.
Elas minimizam suas conquistas e seu senso de responsabilidade, e fazem você parecer reativo em vez de proativo. Para demonstrar liderança e proatividade em suas funções anteriores, inicie seus tópicos com palavras como:
- Liderei;
- Presidi;
- Dirigi;
- Organizei;
- Implementei.
Esses sinais de alerta aparecem na forma como os candidatos descrevem seu trabalho. E tudo se resume à mentalidade. Como você pensa sobre o seu trabalho e como você aborda a sua carreira determinarão para onde ela está indo.
Para empresas em rápida evolução na fronteira da condução de mudanças, como o Google, você sinaliza que é a melhor pessoa para o trabalho se puder responder facilmente (com suas palavras e na prática diária):
- Como você se adapta?
- Como você opera quando as respostas não são óbvias?
- Qual é a sua mentalidade em relação à mudança, ao treinamento e à evolução na carreira?
*Rachel Wells é colaboradora da Forbes USA. Ela é fundadora e CEO da Rachel Wells Coaching, uma empresa dedicada a desbloquear o potencial de carreira e liderança para a GenZ e millenials.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
