O MBA (Master of Business Administration) se consolidou como a rota tradicional para quem aspira empreender ou ocupar posições de liderança em grandes empresas. Em tese, esses programas são projetados para preparar profissionais não apenas para acompanhar o futuro do trabalho, mas para liderar sua transformação.
Mas os dados mostram uma realidade diferente. Embora 9 em cada 10 empresas estejam implementando inteligência artificial em suas rotinas e processos atualmente, a maioria dos alunos de MBA afirma que a tecnologia é mais um aspecto secundário do que uma parte fundamental de seus programas de pós-graduação, segundo um estudo recente da Arkansas State University.
As principais conclusões da pesquisa, que envolveu cerca de 150 entrevistados (uma mistura de estudantes e graduados de MBA), mostram que:
- 60% se sentem inseguros em liderar equipes usando ferramentas ou fluxos de trabalho impulsionados por IA;
- 62% dizem que a fluência em IA é sub-representada nos programas;
- 46% concordam que a alfabetização e a governança em IA deveriam ser integradas aos currículos do MBA;
- Pouco mais da metade dos conteúdos dos cursos (53%) parece diretamente aplicável aos seus empregos.
As habilidades de IA que os MBAs não ensinam
Habilidades como liderança de equipes, alinhamento de stakeholders, colaboração multifuncional e alfabetização de dados são algumas das principais competências ensinadas nos programas de MBA. No entanto, segundo a pesquisa, há uma lacuna significativa na ênfase dada às competências que “moldam o futuro do trabalho”, tais como:
- Fluência em IA;
- Estratégia de automação;
- Storytelling de dados;
- Transformação digital;
- Liderança ética na tecnologia;
- Planejamento de cenários;
- Liderança multifuncional;
- Pensamento sistêmico aplicado.
O descompasso entre as demandas reais do mercado de trabalho (e o que os empregadores passarão a exigir) e aquilo que ainda é ensinado nas escolas de negócios está deixando líderes despreparados para a era da IA. Falta preparo para gerenciar e mitigar riscos, capacitar equipes, acessar oportunidades em empresas nativas ou orientadas por inteligência artificial e, sobretudo, gerar retorno concreto a partir da adoção da tecnologia.
MBAs estão ficando para trás?
A IA está evoluindo muito mais rápido do que a academia consegue acompanhar. Isso significa que, quando o conteúdo de um novo curso for aprovado e entregue, ele muito provavelmente já estará desatualizado.
Professores e membros do corpo docente muitas vezes carecem de experiência prática e de domínio aplicado em IA, após anos dedicados à academia e à pesquisa.
Estudantes pagariam mais por MBAs para a era da IA
As instituições de ensino superior correm o risco de perder a relevância se não reformularem seus currículos e programas para focar nos fundamentos essenciais da liderança nos negócios e nas habilidades de IA do futuro.
Os entrevistados da pesquisa disseram que estariam dispostos a pagar um valor premium por MBAs que ensinassem habilidades para a era da IA. A curto prazo, enquanto reestruturam seus programas de MBA, as instituições de ensino superior podem convocar consultores, conselheiros externos, líderes e profissionais de IA que estão ativamente promovendo a tecnologia no ambiente de trabalho e observando resultados no mundo real. Isso pode ser usado para estudos de caso e para ajudar a moldar um currículo de MBA reformulado. Além disso, os cursos podem incentivar e desafiar os alunos a usar a IA eticamente.
Profissionais e empresas podem criar caminhos de aprendizado
No entanto, para estar à frente e ter as habilidades necessárias para liderar na era da IA, não é preciso esperar por um programa de MBA.
As empresas também podem estruturar trilhas de desenvolvimento em IA personalizadas, alinhadas às necessidades do negócio e ao perfil dos profissionais, considerando seus pontos fortes, lacunas e objetivos específicos. Com isso, os programas se tornam mais direcionados, práticos e eficazes.
*Rachel Wells é colaboradora da Forbes USA. Ela é fundadora e CEO da Rachel Wells Coaching, uma empresa dedicada a desbloquear o potencial de carreira e liderança para a GenZ e millenials.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
