Na Reta Final da Gravidez e de Olho na NR-1, CEO da Vittude Vive Momento de Virada

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Para Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, os primeiros meses de 2026 ficarão marcados por uma rara e intensa convergência de marcos em sua vida. Enquanto trabalha a todo vapor na 7ª edição do Vittude Summit — que se encerra nesta quinta-feira (26) —, a executiva conta os dias para o nascimento de Lara, sua primeira filha, previsto para o início de abril.

A chegada da maternidade coincide com o aniversário de 10 anos de sua healthtech, e também com o lançamento de seu novo livro, “Saúde Mental é Inegociável”, em 10 de abril. “O livro e a Lara estão nascendo juntos. É um momento que vai marcar, inclusive, um ponto de virada: não é só a Vittude que chega aos 10 anos, mas o próprio mercado que amadurece”, reflete a CEO em entrevista à Forbes Brasil.

O aniversário da empresa ainda calha com a atualização da NR-1, norma regulatória que passa a exigir o gerenciamento de riscos psicossociais nas empresas a partir de maio de 2026. As mudanças na legislação ocorrem em meio a uma crise de saúde mental no país, com recorde de afastamentos. “O adoecimento está vindo a galope. Muitas empresas desmobilizaram seus programas após a pandemia achando que era um corte de custos, mas foi uma economia pouco estratégica”, alerta. “Agora, por conta da NR-1, houve um aumento de demanda dos serviços da Vittude, com empresas revendo a pauta de saúde mental.”

“Falar de saúde mental nas organizações é falar de estratégia, de negócio e de dinheiro, não de caridade.”

Tatiana Pimenta

A trajetória de Tatiana Pimenta, fundadora da Vittude

Nascida em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e com carreira no setor corporativo, Tatiana viu sua vida mudar em 2015, quando foi desligada da empresa em que trabalhava no mesmo dia em que seu pai foi diagnosticado com câncer. Com a dificuldade de encontrar profissionais de saúde mental no interior, esbarrou em um dado alarmante: na época, mais de 50% dos municípios brasileiros não tinham psicólogos ou psiquiatras.

Fundada em 2016 ao lado de Everton Höpner, a Vittude nasceu como uma plataforma de terapia online, com o objetivo de mudar esse cenário. Hoje, após pivotar para o modelo B2B em 2019 e atingir o breakeven em 2025, atende mais de 200 empresas — entre elas, gigantes como Grupo Boticário, SAP e iFood —, impactando 3,5 milhões de profissionais. “Nos primeiros anos da Vittude, eu brincava que era CEO só porque era a dona; era apenas um nome bonito”, lembra. “Hoje, lidero uma empresa com conselho de administração, auditoria, governança robusta e foco em grandes contas. Me tornei uma líder mais estruturada e analítica.”

Desde sua fundação, a Vittude já recebeu mais de R$ 40 milhões em investimentos de fundos, o que colocou Tatiana entre as quatro mulheres que mais captaram recursos em venture capital no país. Segundo ela, é só o começo. “Nos próximos 10 anos, queremos alcançar algumas centenas de milhões em faturamento e, quem sabe, nosso primeiro bilhão de receita”, diz, sem abrir números.

Ao olhar para o futuro, tanto o de sua filha quanto o das mulheres na liderança, a executiva espera ter ajudado a construir um novo cenário. “Quero que a minha filha conheça um mundo onde as mulheres possam voltar de licença com a certeza de que o lugar delas está ali, que não são menos profissionais porque viraram mães”, afirma. “Precisamos inspirar outras mulheres a empreender, a liderar e a saber que essa é uma posição que nós podemos, sim, ocupar.”

A seguir, Tatiana Pimenta fala sobre os primeiros dez anos de Vittude, o momento de virada com a chegada da filha e da NR-1 e os planos para o futuro da companhia.

Forbes: Como foram as últimas semanas de preparação e expectativa, tanto para o Vittude Summit quanto para a chegada da Lara?

Tatiana Pimenta: Foi super intenso. Estava em uma negociação com ela: “Lara, espera só mais uns dias, falta pouco para o Summit”. A data prevista para o parto é 4 de abril, mas ela pode nascer a qualquer momento. Confesso que estou vivendo perigosamente e com fortes emoções.

Desde a descoberta da gravidez, como tem equilibrado a liderança da empresa com o planejamento para a licença-maternidade?

Segui a linha de “seniorizar” nosso time de liderança para que eu pudesse sair em segurança. Começamos a trazer heads e diretores no ano passado para suportar a organização estrategicamente, evitando que a empresa sinta minha ausência nesses quatro a seis meses de licença.

Tive uma dedicação intensa para documentar processos, e foi aí que também escrevi o livro. Tinha começado em abril de 2024, mas pausei devido a uma perda gestacional. Quando descobri que estava grávida da Lara e a gestação se mostrou segura, retomei a escrita e terminei em quatro meses.

Nos primeiros meses de licença, você planeja se desconectar completamente da Vittude?

Meu desejo é ficar off o máximo de tempo possível. Sendo honesta, tenho dúvida se não vou ter um “siricotico” de querer trabalhar, mas conversei com outras fundadoras que me garantiram que a experiência é tão encantadora que a vontade de trabalhar some.

Reconheço que estou em um lugar de privilégio: muitas mulheres engravidam sabendo que serão desligadas no retorno. Pelo fato de ser a fundadora e CEO, sei que meu cargo não está em risco e que posso voltar de forma tranquila. Estou com a cabeça muito em paz.

Qual é a sensação de “sair de cena” momentaneamente justo na entrada em vigor da NR-1?

É muito louco pensar que, na hora em que o mercado estiver bombando, eu estarei de fora. Mas, no final das contas, fico feliz que temos um time pronto para fazer tudo acontecer sem mim. Dá um orgulho danado ver que a engrenagem funciona. É o plantio de 10 anos.

Hoje, estamos vivendo uma fase muito boa na Vittude. Houve um aumento de demanda com empresas maduras revendo a pauta de saúde mental por conta da NR-1. Quando começamos, em 2016, nem terapia online era permitida no Brasil. Trabalhamos muito no advocacy junto aos conselhos para aprovar isso em 2018. Sempre estivemos nesse lugar de fomentar políticas públicas e amadurecer o mercado.

Como você amadureceu como líder desde aquele primeiro ano até hoje? O que mudou?

Tudo. Nos primeiros anos, eu brincava que era CEO só porque era a dona; era apenas um nome bonito. Hoje, lidero uma empresa com conselho de administração, auditoria, governança robusta e foco em grandes contas. Precisei aprender sobre saúde mental, estruturação de negócios, captação de recursos e, principalmente, gestão de pessoas. Liderar um coordenador é muito diferente de liderar um diretor; você passa a liderar por influência. Hoje vejo uma Tatiana menos impulsiva, mais estruturada e analítica, que ainda está aprendendo a ter conversas mais difíceis e a ser uma líder melhor.

Nessa última década, a saúde mental ganhou um holofote inédito no Brasil. Qual foi o ponto de virada para as empresas entenderem essa urgência?

A pandemia teve um impacto brutal. Passamos de 4 para quase 200 clientes muito rápido, porque as empresas precisavam manter a operação de pé em meio ao luto e ao caos. O triste foi ver que, com o fim da emergência sanitária, mais da metade desmobilizou seus programas achando que o problema estava resolvido.

Enquanto isso, o adoecimento vinha a galope. Hoje, no nosso censo, vemos uma média de 32% de presenteísmo nas empresas. Isso significa jogar um terço da folha de pagamento no lixo. Agora, com a NR-1, o Estado interveio. O mapeamento de risco está forçando as empresas a medirem seus indicadores, e, uma vez que você tem o dado, não dá mais para ignorar o problema.

Pensando a médio e longo prazo, quais são as metas para a Vittude?

Iniciamos no ano passado o planejamento estratégico para os próximos 10 anos, que chamamos de “Projeto Everest”. Traçamos nossa subida com o objetivo de alcançar algumas centenas de milhões em faturamento e, quem sabe, o nosso topo do Everest seja o primeiro bilhão de receita. Nos próximos anos, o foco é o crescimento orgânico, mas não descartamos fusões e aquisições se surgirem negócios complementares. Também estamos apostando muito forte no uso de inteligência artificial associada a dados para trazer ganhos efetivos aos clientes.

Como mulher e líder, qual legado você quer deixar para as próximas gerações, incluindo sua filha?

Profissionalmente, quero consolidar a ideia de que saúde mental é inegociável e estratégica. Não é sobre caridade, é sobre sustentabilidade do negócio. Pessoalmente, como mãe de uma menina, meu desejo é ver um mundo menos desigual. Quero que minha filha viva em um ambiente corporativo onde as mulheres não precisem provar o tempo todo que podem ser mães e profissionais excelentes ao mesmo tempo. Aqui na Vittude, temos mulheres engravidando, saindo e voltando de licença com total segurança. Quero inspirar outras mulheres a empreender e a ocupar cadeiras de liderança, mostrando que esse espaço também é nosso.



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