A Amazon confirmou 16 mil demissões nesta quarta-feira (28), completando um plano de cerca de 30 mil cortes desde outubro e deixando em aberto a possibilidade de mais reduções.
A Reuters publicou na semana passada que a big tech estava planejando uma segunda rodada de demissões como parte de estratégia do presidente-executivo, Andy Jassy, para reduzir a burocracia e abandonar negócios de baixo desempenho.
Uso crescente da IA
Os cortes também destacam como a inteligência artificial está mudando a dinâmica da força de trabalho corporativa. Melhorias significativas nos assistentes de IA estão ajudando as empresas a executar tarefas, desde funções administrativas de rotina até problemas complexos de codificação, com velocidade e precisão, impulsionando a adoção generalizada da tecnologia.
Jassy disse no ano passado que o uso crescente de ferramentas de IA significaria mais automação de tarefas, levando à perda de empregos corporativos.
Outras grandes empresas, como Nike, UPS e Pinterest, anunciaram cortes nesta semana. A plataforma de mídia social disse na terça-feira (27) que reduzirá seu quadro de funcionários em cerca de 15%, com o objetivo de realocar recursos para funções e estratégias focadas em inteligência artificial.
Amazon corta 10% da força de trabalho corporativa
Embora 30 mil demissões representem uma pequena parte dos 1,58 milhão de funcionários da Amazon, que estão principalmente em centros de distribuição e armazéns da empresa, o número representa quase 10% da força de trabalho corporativa. É o maior conjunto de demissões no grupo em três décadas, superando os 27 mil cortes realizados entre o final de 2022 e o início de 2023.
Na terça, a big tech anunciou o fechamento das lojas de supermercado Fresh e Go, apesar de anos de esforços para melhora de resultados. Também disse que vai abandonar o sistema de pagamento biométrico Amazon One, que escaneia a palma da mão do cliente.
A principal executiva de recursos humanos da Amazon, Beth Galetti, disse em comunicado que as demissões são necessárias para fortalecer a empresa, “reduzindo camadas e removendo a burocracia”. A executiva ainda deixou em aberto a possibilidade de mais reduções, dizendo que algumas equipes continuarão a “fazer ajustes conforme apropriado”.
Esta é a segunda grande rodada de demissões em massa da companhia em três meses. Em outubro, 14 mil pessoas foram desligadas. “Alguns de vocês podem se perguntar se este é o início de um novo ritmo, em que anunciamos amplas reduções a cada poucos meses”, disse Galetti na nota desta quarta-feira. “Esse não é o nosso plano.”
A Amazon também disse que contratou em excesso durante a pandemia da Covid-19, quando a demanda por compras online disparou.
“Projeto amanhecer”
Na terça-feira, a Amazon enviou por engano um email que parecia se referir ao plano de demissões em massa como “Projeto Amanhecer” para alguns funcionários da Amazon Web Services.
Não foi possível saber o escopo completo dos cortes, mas funcionários de várias unidades da AWS, do assistente de voz Alexa, Prime Video, dispositivos, publicidade, entre outros, indicaram que haviam sido afetados. A Amazon não respondeu a um pedido de comentário da Reuters.

