Durante uma viagem a Sobral (CE) com a Fundação Lemann, em 2022, Eric Bartunek, então com 13 anos, ficou impressionado com a infraestrutura e a qualidade do ensino público do município – conhecido como a capital da educação brasileira. “Muitos alunos estavam aprendendo uma matemática muito parecida com a que eu aprendia na minha escola particular em São Paulo”, relembra.
A experiência despertou no paulistano o desejo de ampliar o acesso à educação de qualidade no país. Hoje, aos 17 anos, ele lidera a articulação para a doação de antenas da Starlink que vão levar internet a 140 escolas da Amazônia. “Nunca achei que chegaria a esse ponto. A escala acabou sendo muito maior do que eu esperava”, diz. O pedido foi feito diretamente à presidente e COO da SpaceX, Gwynne Shotwell, em janeiro de 2025.
Solução para os desafios da educação na Amazônia
O contato mais profundo com as desigualdades educacionais brasileiras veio durante um estágio no Instituto PROA, ONG que capacita jovens de baixa renda de escolas públicas para o mercado de trabalho. “Na região amazônica, muitas escolas ribeirinhas só são acessadas por barco e não têm conexão à internet”, conta. “Vi ali uma forma muito clara de ajudar: introduzindo conectividade.”
Filho de Florian Bartunek, sócio-fundador da Constellation e um dos maiores gestores de fundos do Brasil, Eric cresceu em meio a grandes empresários, com forte incentivo ao estudo e à disciplina. “Meu pai sempre foi uma grande inspiração. Ele me apoiou o tempo todo, me motivou – e até tirou meu celular algumas vezes para me ajudar a focar nos estudos”, lembra.
Com a veia empreendedora herdada de casa, o estudante passou a pesquisar soluções para a exclusão digital nas escolas da Amazônia, acionando contatos e estudando alternativas viáveis. “A internet via satélite era o caminho mais fácil, porque a fibra óptica não chega a essas escolas.” A Starlink, da SpaceX, se mostrou a melhor opção.

Inicialmente, a ideia era levantar recursos dentro de sua própria rede para conectar algumas escolas. Mas Eric decidiu ir além. “Comecei a buscar parceiros para escalar o projeto.”
“Nesse período, li a autobiografia do Elon Musk. Descobrir que ele também começou muito cedo me motivou. Mostrou que, mesmo sendo jovem, eu poderia gerar impacto. Foi o empurrão para perseguir esse projeto.”
Pitch para a COO da SpaceX
Após diversos e-mails sem resposta, Eric conseguiu chamar a atenção da presidente e diretora de operações da SpaceX, com quem conversou via Zoom por cerca de dez minutos. “Falei da minha ambição, ela gostou muito da ideia e quis ajudar.”
O estudante buscava o apoio da executiva para conectar 10 das 140 escolas de um distrito amazônico. “Perguntei se ela poderia doar antenas ou ajudar com um plano de internet gratuito.” A resposta superou as expectativas. Segundo ele, Gwynne Shotwell explicou que a SpaceX estava lançando o Starlink for Good, iniciativa filantrópica da empresa, e que seria possível doar antenas para conectar todas as 140 escolas.
Mais emocionante do que a conversa foi acompanhar a entrega das primeiras antenas, em novembro de 2025, na comunidade de Barro Alto, em Manicoré – a quase 30 horas de barco de Manaus. “A escola parou por uma hora para nos receber e acompanhar a instalação. Foi muito gratificante.” A partir dali, alunos e professores passaram a acessar serviços públicos digitais, planos de aula, ferramentas de gestão, pesquisa e até recursos de inteligência artificial.

Os próximos passos de Eric Bartunek
A conclusão das instalações está prevista para meados de fevereiro. Paralelamente, Eric já trabalha na próxima fase: garantir que a conectividade se traduza em ganhos concretos de aprendizagem. Para isso, conta com o apoio da ONG MegaEdu, do Instituto Escolas Conectadas e do professor Martin Carnoy, economista da Universidade Stanford especializado em educação. “Estamos criando um treinamento para ajudar os professores a usar melhor essas ferramentas e aumentar seu impacto em sala de aula.”
Eric se forma no ensino médio ainda este ano e deve iniciar, no segundo semestre, os estudos de Economia e Educação em uma universidade dos Estados Unidos. “Depois da faculdade, gostaria de voltar ao Brasil para aplicar esses aprendizados e, talvez, começar pelo governo.”
Em paralelo, ele segue envolvido em outras iniciativas: lidera o clube de investimentos da sua escola e participa do Juntos na Tech, projeto que, em parceria com o Unidos de Paraisópolis, ensina programação a jovens da favela em São Paulo.
O estudante reconhece que faz parte de uma geração ansiosa e imediatista, mas encontrou estratégias para lidar com a pressão. “Sempre gostei muito de jogar tênis e pratico muay thai. O esporte me ajuda a controlar o estresse. Estar com amigos também ajuda a dar uma pausa da escola e dos projetos, que às vezes geram ansiedade.”
Para outros jovens, ele aconselha: “Começar pode ser difícil, mas depois tudo fica mais fácil. Quanto mais ‘nãos’ você recebe, quer dizer que está mais perto está de um ‘sim’. No fim, tudo vale a pena.”
