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Um salário de R$ 17 mil, aliado à promessa de ascensão rápida a cargos de liderança, fez o novo programa de trainee da Unilever se tornar um dos mais disputados do país. Em apenas uma semana, a companhia recebeu mais de 18 mil inscrições para as 12 vagas disponíveis, o que equivale a cerca de 1.500 candidatos por posição — um número quase seis vezes superior ao curso mais concorrido do Sisu em 2025.
Após quatro anos de pausa, a Unilever retomou o programa com uma versão voltada à aceleração de carreira executiva, destinada a profissionais formados há até cinco anos e que já deram os primeiros passos no mercado de trabalho. O objetivo é prepará-los para assumir cargos de gerência até o final do programa, que dura três anos, ou antes, a depender da performance. “Buscamos pessoas já em cargos de analista ou júnior em outras empresas, que desejam acelerar a carreira”, afirma Petr Hon, diretor de recursos humanos da Unilever Brasil, que falou à Forbes sobre o programa. “Em três anos, esperamos que esses profissionais estejam prontos para assumir posições de liderança. Quem não estiver, será desligado. É um contrato de investimento mútuo.”
O executivo explicou o perfil buscado pela companhia: “O inglês avançado é obrigatório, mas não estamos olhando para nenhuma universidade específica ou origem, e sim para o que essa pessoa traz de conteúdo e diferencial.”
A Unilever aposta em uma estratégia de “olheiro corporativo”. “Gosto de usar a analogia do futebol: uma joia não nasce apenas nos grandes clubes. Os talentos estão espalhados pelo Brasil, e nosso papel é ser o olheiro que sabe reconhecê-los.”
O programa conta com benefícios como vale-refeição, auxílio-transporte, convênio médico e odontológico, vale bem-estar e incentivo para cursos e idiomas. Durante o período, os trainees serão mentorados por diretores e vice-presidentes da companhia — muitos deles ex-trainees — e terão acompanhamento contínuo de performance. “O que me destacou lá atrás foi a curiosidade e a vontade de fazer acontecer. Sempre mostrei interesse, propus soluções diferentes e trouxe um outro olhar”, diz Giovanna Bressane, que entrou na Unilever como trainee e hoje é CMO de Home Care Américas. “Isso fez com que a companhia quisesse apostar em mim e me abrisse portas.”
Como se destacar no processo seletivo
Segundo Petr, a Unilever busca profissionais com visão 360°, que saibam compreender o contexto do negócio e tenham o que a companhia chama de estratégia “play to win” — ou “jogar para vencer”. “Não queremos respostas formatadas. As pessoas precisam mostrar quem realmente são, com autenticidade, durante as dinâmicas e entrevistas. O comportamento conta muito.”
Na visão da CMO, a inquietude é uma das características mais valorizadas pelos recrutadores. “Na seleção, é importante mostrar atitude desde o início, não é sobre esperar o contexto perfeito”, afirma. “Em uma dinâmica ou entrevista, mostre inquietude, tenha dor de dono e um olhar curioso.”
O processo seletivo terá etapas online, com testes e entrevistas, e presenciais, com dinâmicas em grupo durante dois dias de evento. As vagas estão distribuídas entre as áreas de marketing, trade marketing e vendas, supply chain e finanças, nas unidades de negócio de alimentos, beleza e bem-estar, cuidados pessoais e cuidados com a casa. Os candidatos precisam ter disponibilidade para atuar em modelo híbrido em São Paulo, Vinhedo ou Indaiatuba, além de formação superior concluída de dezembro de 2020 a dezembro de 2025.
O início do programa da Unilever está previsto para fevereiro de 2026, e as inscrições podem ser realizadas até 22 de outubro aqui.

