Guerin Blask/Forbes
O fundador e CEO do Spotify, Daniel Ek, deixará o cargo para se tornar presidente executivo em janeiro, informou a empresa sueca de streaming nesta terça-feira (30), ao adotar uma nova estrutura de co-CEO como parte da estratégia para enfrentar concorrentes e reforçar sua margem de lucro.
O bilionário Ek, que transformou o Spotify em um dos raros líderes globais de tecnologia de consumo da região, vai se afastar das operações do dia a dia enquanto a empresa traça planos para se manter à frente das ofertas musicais do YouTube, Apple e Amazon.
“Ek deixa o cargo de CEO em um momento positivo, deixando grandes sapatos a serem preenchidos pelos novos CEOs”, disse Paolo Pescatore, analista da PP Foresight.
As ações do Spotify nos EUA caíram cerca de 5% após uma alta de 63% no ano.
Ek, um dos empreendedores de tecnologia mais proeminentes da Europa, concentrará sua atuação em alocação de capital e estratégia de longo prazo como presidente executivo. “Pense nisso como a transição de um jogador para um técnico”, disse Ek, que integra o conselho da empresa desde 2008.
O Spotify continua sendo o líder do mercado, com quase 700 milhões de usuários mensais e mais de 100 milhões de faixas disponíveis — muito à frente dos cerca de 90 milhões de assinantes do Apple Music.
Ainda assim, enfrenta concorrência do catálogo integrado de vídeos do YouTube Music e das ofertas vinculadas ao Prime da Amazon Music, que dão aos rivais vantagens distintas em certos mercados.
Apesar da dominância, a pressão sobre as margens de lucro persiste, à medida que artistas exigem pagamentos mais altos e a modalidade gratuita com anúncios cresce.
Segundo o Global Music Report da IFPI, a receita global de música gravada cresceu 4,8% em 2024, alcançando US$ 29,6 bilhões. O streaming ultrapassou US$ 20 bilhões pela primeira vez, sendo que o streaming por assinatura respondeu por mais da metade desse valor.
As ações do Spotify se valorizaram mais de sete vezes desde 2023, impulsionadas pelo crescimento da rentabilidade e do streaming.
De startup a gigante
Fundado em 2006, em Estocolmo, o Spotify ajudou a transformar uma indústria musical que vinha encolhendo há anos devido à pirataria e à queda nas vendas de CDs. Sua estreia nos EUA, em 2011, ocorreu em meio a um setor em crise.
Ainda assim, a empresa só registrou seu primeiro lucro anual em 2024, após uma série de aumentos de preços e cortes de custos.
Ek é frequentemente citado como um símbolo da capacidade da Europa de criar empresas capazes de competir com gigantes de tecnologia dos EUA e da Ásia.
Novos co-CEOs
Na nova estrutura, Gustav Söderström, atual diretor de produto e tecnologia, continuará responsável pela estratégia tecnológica global e desenvolvimento de produtos, enquanto Alex Norström, diretor de negócios, seguirá à frente das áreas de assinaturas, publicidade, além de música, podcasts e audiolivros.
Ambos se reportarão a Ek, que também permanece no conselho. Os três executivos trabalham juntos há cerca de 15 anos. “Norström tem profundo interesse em produto, e eu tenho grande interesse em negócios”, disse Söderström. “Por isso, gerimos tudo como um único time.”
Diversas empresas de peso, como Oracle e Netflix, já adotaram o modelo de co-CEO para administrar operações cada vez mais complexas e diversificadas globalmente.
No entanto, esse modelo também gera ceticismo por criar linhas de autoridade pouco claras. “A grande incógnita é por que o Spotify precisa de um presidente executivo e dois CEOs, já que isso sugere a ideia de que muitos cozinheiros podem estragar a receita”, disse Dan Coatsworth, analista de investimentos da AJ Bell.
Cinco fatos importantes sobre os novos co-CEOs do Spotify
Gustav Söderström
- Formado em engenharia elétrica e comunicações de dados pelo KTH Royal Institute of Technology, em Estocolmo;
- Em 2003, fundou a Kenet Works, uma empresa que desenvolvia softwares comunitários para celulares, onde atuou como CEO até sua aquisição pelo Yahoo! em 2006;
- Antes de ingressar no Spotify em 2009, foi diretor de produto e desenvolvimento de negócios do Yahoo! Mobile;
- Também é investidor-anjo em startups e fundador da 13th Lab, empresa que desenvolveu softwares para câmeras mapearem e compreenderem espaços reais em 3D; a empresa foi adquirida pela Oculus (Facebook) em dezembro de 2014;
- Ao longo de quase 17 anos no Spotify, ocupou diversos cargos de liderança, sendo o mais recente como diretor de produto e tecnologia, responsável pela estratégia tecnológica global e desenvolvimento de produtos.
Alex Norström
- Formado em administração e economia pela Stockholm School of Economics;
- Ingressou no Spotify em 2011, após atuar como diretor de novos negócios na King.com, empresa responsável pelo jogo Candy Crush;
- Foi membro do conselho da fintech Circle de 2016 até dezembro de 2019;
- Em mais de 14 anos no Spotify, ocupou vários cargos de liderança, sendo o mais recente como diretor de negócios, gerenciando áreas de assinaturas e publicidade, além de operações de música, podcasts e audiolivros;
- Sua experiência também inclui atuação em marketing, mercados globais, parcerias, licenciamento, pagamentos e atendimento ao cliente.

