“Brain Rot” Pode Virar Preocupação para Empresas e Profissionais

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A Oxford University Press anunciou “brain rot” como sua palavra do ano na última semana

 

 

Preciso dizer que fiquei particularmente espantada com a expressão do ano, eleita pelo Dicionário Oxford: “Brain Rot”. Significa algo como “cérebro apodrecido” e está associada à deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente relacionada ao consumo excessivo de conteúdo online considerado trivial ou pouco desafiador.

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Não sei se em função de conviver diariamente em meio a empresas que demandam alto nível de dedicação e sofisticação para soluções de problemas cada vez mais complexos, mas eu não tinha ainda vinculado os efeitos desse estado geral de adoecimento mental com o mundo corporativo.

Já faz algum tempo que temos acompanhado a disparada de doenças mentais associadas ao trabalho. Ansiedade, depressão e burnout têm seus impactos não só para a vida dos profissionais, mas também para as empresas, que perdem em produtividade, no clima e no engajamento, além dos custos decorrentes de afastamentos e reposição do quadro. Não é a toa que se tem investido tanto em programas de saúde mental e de qualidade de vida.

Nossas discussões giravam, fundamentalmente, em torno dos efeitos do trabalho sobre a vida das pessoas, mas agora, com o “brain rot”, aumentam-se as preocupações com os reflexos da vida pessoal dos profissionais sobre os resultados corporativos. Nossos hábitos, cada vez mais digitais, impactam de forma decisiva na nossa disposição para o trabalho. E também na nossa disposição para viver a vida real.

Até então, as pressões corporativas seriam a causa do adoecimento, mas agora as pessoas já chegam adoecidas para trabalhar. Preguiça, desânimo, falta de concentração e estagnação são algumas das consequências do excesso de conteúdos rápidos e de baixa qualidade que consumimos diariamente. Não é possível imaginar que tudo isso se resuma somente aos momentos de descanso em frente à tela do celular.

Vamos então refletir sobre os efeitos do “brain rot” em carreira e remuneração: Considerando que os recursos destinados a aumentos salariais e promoções são restritos, os fatores que levam alguém a ser elegível a estes reconhecimentos financeiros têm muita relação com protagonismo, proatividade, profundidade do conhecimento adquirido e capacidade analítica, além de habilidades interpessoais. E aí eu me pego pensando em quão escassos serão esses perfis de profissionais se continuarmos lidando de forma tão precária com as redes sociais. Prioriza-se o passar de tela aleatório à leitura de um livro, à pesquisa aprofundada que traga respostas consistentes aos dilemas cotidianos e até a eventos culturais e sociais que ampliam nossa capacidade criativa e cognitiva. E aí o que resta é o torpor, a superficialidade e o vazio.

É preciso foco para identificar problemas e oportunidades de melhoria no dia a dia do trabalho. É preciso objetividade para definir as metas e consistência na execução. É necessário ir além das respostas rápidas e rasas, em uma equação que frequentemente privilegia o volume à efetividade. E só para deixar claro, não vejo nenhum problema no modus operandi das empresas que testam soluções rápidas e topam o risco de errar! Minha preocupação aqui está associada à postura do profissional que, ao se habituar a respostas superficiais e soluções paliativas, corre o risco de perder a profundidade no pensamento crítico e a capacidade de propor mudanças significativas, sem o compromisso genuíno com a geração de valor.

Estamos em dezembro, o mês em que definimos as prioridades para o próximo ano. Que seja então momento de tomarmos melhores decisões sobre a forma como nos dedicamos ao que realmente importa.

Sejamos inteiros e presentes. E os que conseguirem sair primeiro desta armadilha virtual se destacarão na multidão.

Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.





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